Teleconsultoria nas urgências médicas?

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Determinantes Sociais e Riscos para a Saúde, Doenças Crônicas não transmissíveis e Saúde Mental

Nas áreas remotas, com dificuldade de encontrar especialistas de cuidados, a teleconsultoria pode apoiar a equipe de atenção básica nos processos diagnósticos de média complexidade, orientar a terapia ou, pelo menos, qualificar a referência. Tendo em vista que a teleconsultoria é um processo que leva tempo, ela sempre foi considerada uma ferramenta a ser utilizada em condições clínicas crônicas e até sub-agudas. Durante o último congresso da Sociedade Brasileira de Telessaúde e Telemedicina, realizado em São Paulo, em novembro 2013, Cleinaldo de Almeida Costa, reitor da Universidade Estadual de Amazonas (UEA), ministrou uma palestra propondo a teleconsultoria como apoio no cuidado à distância em municípios da floresta Amazônica bem distantes da capital Manaus, em benefício do paciente traumatizado por acidente de motocicleta, que é mais que uma condição sub-aguda até, frequentemente, condição de urgência ortopédica.

No mundo, as mortes e as incapacitações, consequência de traumas representam uma condição clínica de alta prevalência e incidência. Os recursos humanos e financeiros disponibilizados globalmente não são suficientes. Contudo é possível que a prevenção e atendimentos aos traumas tornem-se um enfoque da Agenda Pós-2015.

O Brasil possui elevadas taxas de morbimortalidade por lesões causadas pelo trânsito e, seguindo a tendência de outros países, vem experimentando aumentos significativos nos óbitos de

motociclistas – que já representam a maior parte das vítimas fatais entre os acidentes por transporte terrestre. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) inclui esta especialidade dentro a unidade de Determinantes Sociais e Riscos para a Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental, como o Projeto Vida no Trânsito,  parceira entre o Ministério da Saúde e a OPAS/OMS no Brasil.

Permanece o problema de como cuidar do paciente traumatizado quando o trauma acontece como encaixar a resposta dentro do sistema de cuidados de urgência-emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil e como providenciar o sistema de capacidades, fluxo de informações, procedimentos e organização adequadas para responder também em contextos geográficos de comunidades isoladas e com carência de especialistas.

Portanto, no Brasil é um grande desafio a abrangência multidisciplinar, que demanda  uma visão ampla dos cuidados de saúde e uma profunda integração do SUS.

A UEA já se encontra em uma posição de avanço no Brasil por ter o ensino de telessaúde e telemedicina dentro o seu currículo. O sistema de telessaúde e telemedicina do estado do Amazonas é desenvolvido e sustentável até o ponto que Cleinaldo de Almeida Costa o propõe na gestão do paciente traumatizado em municípios de difícil acesso.

Esta proposta é ao mesmo tempo provocativa e desafiante, acrescentando ainda mais a importância da Estratégia de e-Saúde no Brasil, liderado pelo DATASUS do Ministério da Saúde, que considera a incorporação de tecnologia de informação e comunicação no SUS em forma integral e de longo prazo.

A Sociedade Brasileira de Atendimento integrado ao Traumatizado (SBAIT) vai encarar em detalhes o tema da teleconsultoria em condições clinicas de urgência no seu XI congresso, previsto para acontecer em Manaus, Amazonas, no período de 25 a 27 de setembro de 2014.

Fonte: OPAS/OMS Brasil
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