Presidente da AMB no Roda Viva – 10/03/14

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“O índice de aprovação dos médicos de Cuba e da Bolívia é assustador”

Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso, fala sobre a falta de qualidade e de condições de trabalho no Mais Médicos.

O Roda Viva teve como centro de debate a medicina no Brasil. O entrevistado, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso, deu falou sobre a saúde pública e o programa Mais Médicos.

Cardoso fez críticas ao programa criado pelo governo federal para levar médicos estrangeiros a regiões mais afastadas do Brasil. Para ele, a questão da saúde no país não se trata de quantidade, mas de qualidade.

“Eu moro em Fortaleza e posso assegurar que vejo doentes na quinta capital do país que perambulam. O meu recorde foi um diagnóstico de um paciente com câncer que perambulava há um ano e dois meses. O que significa que precisa de acesso sim nas grandes capitais, mas nós defendemos o acesso com qualidade”.

O presidente da AMB explica alerta que nem sempre o acesso rápido, mas sem qualificação, pode resolver problemas que precisam de um médico mais preparado. Em muitos casos, isso pode agravar a situação.

Florentino Cardoso destaca ainda que atualmente não há Revalida (prova para avaliar aptidão de médicos estrangeiros) para os brasileiros porque não há intenção do próprio governo. Mas eles afirma que “as entidade médicas são favoráveis que todos os médicos do Brasil sejam avaliados. Só que nós sabemos como os médicos são formados”.

A avaliação é aplicada para médicos de outros países que querem trabalhar no Brasil desde 2010. De acordo com o presidente da AMB, o índice de aprovação dos médicos formados especialmente em Cuba e na Bolívia é assustador. “90% dos médicos cubanos não passam e 94% dos bolivianos são reprovados. A prova do Revalida é fácil e já foi colocada em faculdades aqui no Brasil”.

Cardoso faz outro alerta: “É o governo brasileiro o patrocinador do Revalida e não as entidades médicas. Não há consistência no que o governo diz sobre dispensar a prova para o programa Mais Médicos”. Ele afirma que o governo diz que se eles forem aprovados poderão trabalhar em qualquer lugar e isso não é verdade, já que o emprego é ofertado pelo o próprio governo. É ele quem determina onde o médico deve ou não trabalhar.

No programa, o presidente falou ainda sobre o programa Caixa Preta que será lançado pelo AMB. “Nós queremos mostrar a realidade e dar oportunidade a quem quer que seja para relatar o que está acontecendo com a saúde brasileira”. 

Cirurgião geral e oncologista, Florentino é graduado pela Universidade Federal do Ceará e especialista em Economia da Saúde e em Capacitação Gerencial de Dirigentes Hospitalares. Foi vice-presidente regional da AMB de 2002 a 2008 e presidente da Associação Médica Cearense por três gestões. Dirigiu o setor de Setor de Saúde Pública da AMB, sendo também o representante da mesma instituição na Comissão Nacional Pró-SUS.

Fonte: Roda Viva, 10/03/14
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