A molécula da Moralidade

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Confira parte da entrevista concedida pelo neuroeconomista americano Paul Zak para a Revista Galileu.

Fundador do Centro de Neuroeconomia da Universidade de Claremont e autor do livro “A molécula da Moralidade” foi eleito um dos 50 cientistas mais sexy do mundo. Seu apelido Dr. Love está relacionado com o tema principal de suas pesquisas: a oxitocina, chamada por muitos de ‘o hormônio do amor’.

No entanto, Zak afirma que a molécula faz muito mais do que simplesmente estimular a relação entre familiares ou interesses amorosos. De acordo com ele, a oxitocina é a ‘cola da sociedade’, algo que mantém o equilíbrio entre todas as relações humanas. Isso significa que, em sua ótica, nossa moral, nossa compaixão e até a forma com que fazemos compras é afetada pelo hormônio.

GALILEU – Você é considerado o pai da neuroeconomia. Como chegou a relacionar a neurociência e, especialmente, o funcionamento de hormônios como a oxitocina e a economia de países inteiros?

Paul Zak – Um dos maiores indicadores de prosperidade econômica das nações é a confiança interpessoal. Isso quer dizer que países com alta confiança entre seus habitantes, como Dinamarca, Suíça e os próprios EUA tem a capacidade de crescer economicamente de forma contínua. Já países que tem baixos níveis de confiança, como a Colômbia e o próprio Brasil tem dificuldades para alcançar o seu potencial. Pesquisando isso, descobrimos que a confiança surge em ambientes de equilíbrio político e social.

Essa pesquisa teve muito impacto e as pessoas começaram a querer entender o que estimulava a confiança em países em desenvolvimento. Mas como pessoas que não se conhecem podem confiar umas nas outras, para começar? O que causa isso? Então comecei a procurar por um mecanismo, para poder construir um modelo. Aí surge a oxitocina, que liga animais a seus filhotes e tem efeitos muito mais fortes nos humanos. Foi então que surgiu a hipótese de que poderia haver uma ligação entre esses dois fatos.

Você também relaciona a oxitocina com a nossa noção de moral…

A oxitocina é um hormônio, mas tem duas funções – ela é uma molécula sinalizadora liberada no cérebro, agindo como um neurotransmissor, assim como a serotonina e a dopamina. E a mensagem que ela envia ao cérebro é de que a situação é segura. Assim, sentimos empatia por outras pessoas. Nos animais, a dopamina é liberada para estimular o cuidado pelos filhotes. Mas nos humanos sua ação é extremamente mais forte, pois somos hipersociais – temos muito mais receptores para a oxitocina na parte frontal do cérebro. Nos focamos nos sentimentos das pessoas, sentimos empatia por elas. Com ela deixamos de nos focar apenas em nós mesmos e passamos a nos importar com os outros também. Nos sentimos bem fazendo o bem. Recebemos a oxitocina e liberamos dopamina, um hormônio que nos dá uma sensação de prazer, reforçando este comportamento.

De vez em quando nos comportamos de uma forma absolutamente estranha. Isso não quer dizer que você seja uma pessoa ruim, apenas que seus químicos não estão regulados da forma comum. Quanto a pergunta se somos bons ou maus? A resposta correta é que podemos ser os dois.

Falando em apelidos, qual é a história por trás do “Dr. Love”?

Primeiro eu estudo oxitocina, que foi apelidada de ‘hormônio do amor’. E, pensando na oxitocina, resolvi fazer um experimento. Sou um cara introvertido, mas decidi que seria positivo abraçar as pessoas ao cumprimentá-las e não apenas oferecer um aperto de mão. Queria ver que tipo de reação as pessoas teriam comigo após o abraço, se elas seriam mais empáticas. Encontrei um repórter na época, abracei o cara e ele criou esse apelido na matéria dele. O negócio pegou.

E qual foi o resultado do experimento do abraço?

O  abraço realmente faz uma diferença positiva. A oxitocina aumenta e meus interlocutores se sentem mais confortáveis, familiarizados. E agora, apesar da minha timidez, eu abraço todo mundo que me cumprimenta – mas normalmente eu anuncio o abraço, não faço nada sem permissão (risos).

Por Luciana Galastri – Revista Galileu

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